Uma pergunta que mudou tudo
No final de 2019, uma pergunta simples não saiu da minha cabeça:
“E se existisse uma plataforma para gestão de terreiros?”
Fui pesquisar. Vasculhei a internet, perguntei para conhecidos, procurei cursos, vídeos, sistemas prontos… nada. O que encontrei de mais próximo eram canais no YouTube e cursos no Hotmart sobre gestão para terreiros. Achei incrível e, na hora, pensei: “Essa é a maior descoberta que já fiz!”
Na época, eu estava no quarto ano da faculdade de Arquitetura e Urbanismo, prestes a me formar. Tinha mudado para essa área depois de 14 anos como fotógrafo de casamentos, trabalhando lado a lado com minha esposa. Mas, a rotina intensa — seja como fotógrafo, seja como estagiário de arquitetura — já tinha me privado de vida social por anos.
O início da jornada
A ideia da plataforma não saía da minha cabeça. Até que, em um dia qualquer, percebi que poderia aprender a desenvolver aplicações web. Me empolguei, mergulhei de cabeça nos estudos e, pouco tempo depois, larguei a faculdade para me dedicar a esse novo sonho.
Fui criando módulos, testando funcionalidades e vendo novas ideias surgirem a cada dia. Quando finalizei a primeira versão, pensei: “Agora é só publicar e os terreiros vão se interessar.”
Grande engano. Fiz contato com vários terreiros pelo Instagram, expliquei a proposta, mas… silêncio total.



De onde veio o nome “Quartinha”
O nome surgiu de forma espontânea, mas carregado de significado. Para os umbandistas, a quartinha é um recipiente sagrado, onde se guarda força e energia. A ideia é que toda a força da gestão do terreiro estivesse dentro da plataforma — assim como a energia está na quartinha física.
As parcerias (e os desafios)
Tive dois sócios ao longo da trajetória.
- O primeiro ficou apenas 20 dias.
- O segundo permaneceu por oito meses… e depois simplesmente sumiu (rs).
Ambos eram umbandistas, mas o foco dessa história não é sobre eles, e sim sobre a resiliência necessária para seguir adiante mesmo quando as coisas não saem como esperado.
O reencontro que reacendeu a chama
Antes de o segundo sócio entrar, o Quartinha chegou a ficar desativado por falta de recursos e motivação. Foi nessa fase que um antigo conhecido reapareceu. Eu havia voltado a correr e, ao postar meus treinos no Instagram, ele comentou. Na hora, pensei: “Isso é sinal… coisa de macumbeiro!” 😄
Mandei um direct contando sobre o Quartinha e deixando meu WhatsApp. Pouco tempo depois, ele me respondeu. Marcamos um encontro no terreiro dele para um mês depois. Chegou o dia e, na empolgação, ofereci sociedade sem pedir nada em troca — meu verdadeiro desejo era recolocar o Quartinha no ar.
Uma nova fase
Começamos um trabalho intenso:
- Criamos um cronograma.
- Fizemos reuniões diárias de 30 minutos.
- Eu passava o resto do dia desenvolvendo.
Conversamos com profissionais de marketing, contabilidade e até pensamos em trazer mais sócios para o time. Mas, novamente, poucos se interessaram. Depois de cerca de 11 meses, ele também desapareceu.
Nesse tempo, alguns terreiros se tornaram clientes e amigos próximos concluíram a implantação da plataforma.
Resiliência como combustível
Se tem algo que aprendi é que resiliência é mais importante que qualquer código.
Hoje, sigo desenvolvendo o Quartinha com o mesmo entusiasmo do início — talvez até mais. Porque cada obstáculo enfrentado me mostrou que a ideia é maior que qualquer dificuldade momentânea.
E, se no início eu me perguntava “E se existisse uma plataforma para gestão de terreiros?”, hoje tenho certeza: ela existe, está viva e vai continuar crescendo.
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