O Workshop Sons de Aruanda foi um marco para a nossa comunidade no dia 19 de abril de 2026. Sob a liderança de Pai Leandro Solda, o terreiro TUSPPON recebeu este evento transformador. Além de um ritual, o encontro reuniu 60 pessoas para unir ancestralidade e capacitação técnica. Para o Quartinha, esse evento exemplifica como a gestão e a espiritualidade prosperam juntas.
Neste artigo, exploramos como o Workshop Sons de Aruanda provou que o terreiro pode, ser e deve ser um hub de empreendedorismo para o povo de axé.

O que o Workshop Sons de Aruanda ensina sobre gestão?
O evento contou com a maestria dos ogas Gilson Curimba e Rodrigo Jucá. Além disso, como ícones da musicalidade, ambos gerem suas próprias escolas de curimba. O mestre Gilson trouxe uma visão profunda sobre a “tecnologia espiritual” do som:

“O propósito é desvelar a ciência do som e compreender como cada vibração atua em nós. Não é apenas sobre cantar bonito; é sobre vibrar certo”, afirmou Gilson.
Dessa forma, o Workshop Sons de Aruanda abordou temas complexos, como frequências vibratórias e estrutura musical. Quando um terreiro investe nessa capacitação, ele profissionaliza sua gestão de terreiro. Consequentemente, o conhecimento técnico torna o ritual mais seguro e consciente para todos.
Networking e Empreendedorismo no Axé
Além do conhecimento técnico, o encontro destacou o terreiro como um ambiente de conexões. Dessa forma pai Leandro Solda ressaltou que abrir as portas para o Workshop Sons de Aruanda traz benefícios estratégicos:
“A casa cresce em relevância e se posiciona como uma referência. O benefício é, literalmente, o networking. Você acaba sendo um canal para novos espectadores”, explicou o dirigente.
Durante o evento, vimos a “economia do axé” em pleno movimento. Por exemplo, a cantina e a lojinha do terreiro geraram receita direta para a manutenção da casa. Da mesma forma, a bilheteria do Workshop Sons de Aruanda funcionou como um modelo de parceria transparente: parte da arrecadação foi destinada à estrutura do terreiro, enquanto a outra parte remunerou o trabalho técnico dos palestrantes. Esse formato é um excelente exemplo de gestão compartilhada, pois valoriza o saber dos mestres e, simultaneamente, fortalece a sustentabilidade do templo. Além disso, a presença de parceiros como o Pai Diego (TELA) e Vanessa (Casa di Jorge) reforçou a união comercial entre nós.





Lições de União e Sustentabilidade Religiosa
Frequentemente, admiramos a capacidade de organização de outras religiões. Elas utilizam eventos culturais para sustentar suas obras há décadas. Contudo, o Workshop Sons de Aruanda prova que a Umbanda está trilhando este caminho de sucesso.
Segundo o Sebrae, o mercado da fé é um dos que mais cresce no Brasil. Portanto, ao empreender em nossos espaços, garantimos a sobrevivência das nossas tradições. O terreiro deixa de ser apenas um local de ritos. Ele passa a ser um polo de convivência e consumo ético.
Em suma, o sucesso mostra que a união é nossa maior força. Ao abrir as portas para o conhecimento, profissionalizamos nossas casas e fortalecemos nossa fé.
Conclusão: O Sagrado e a Gestão – Duas Faces da Mesma Moeda
Um dos maiores desafios dos dirigentes é a desmistificação da gestão dentro das casas de axé. Durante muito tempo, criou-se a falsa ideia de que o “burocrático” — leis, finanças e organização — seria um oposto da espiritualidade. No entanto, o sucesso de eventos como o Workshop Sons de Aruanda nos mostra exatamente o contrário: a gestão não limita o axé; ela o protege.
Precisamos separar o que é do ritual daquilo que é da administração. O sagrado habita o mistério, o rito e a fé. Já o burocrático habita o mundo material, onde o terreiro existe como uma instituição que precisa de alvarás, segurança jurídica e sustentabilidade financeira. Quando um dirigente ignora a parte administrativa sob o pretexto de “focar apenas no espiritual”, ele coloca em risco a própria continuidade da casa.
Desmistificar esses dois vieses é um ato de responsabilidade. Entender de leis, impostos e gestão de pessoas não torna o terreiro “frio” ou “comercial”. Pelo contrário, traz transparência para a corrente e segurança para os consulentes. Uma casa organizada permite que o Pai ou Mãe tenha a mente tranquila para exercer sua mediunidade epropagar seus conhecimentos, sem o peso de contas desordenadas ou problemas burocráticos batendo à porta.
Portanto, acredito que profissionalizar a gestão é uma forma de honrar os nossos Guias e Orixás. Ao cuidarmos do “corpo” do terreiro (a estrutura, o financeiro e o networking), garantimos que a sua “alma” (o sagrado) possa brilhar com toda a sua força.
No Quartinha, nossa missão é justamente essa: oferecer a tecnologia necessária para cuidar do burocrático, para que você possa dedicar o seu melhor ao sagrado. Que o exemplo de união e profissionalismo do TUSPPON inspire cada vez mais casas a entenderem que o axé se fortalece na organização.
📚 Referências de Autoridade:
- Sebrae: O Mercado Religioso no Brasil
- Gilson Curimba: Escola e Pedagogia do Atabaque
- Rodrigo Jucá: Musicalidade e Técnica
- Quartinha: Sistemas de Gestão para Terreiros
